Eu não fui para Liverpool, infelizmente. Estava entre as opções, mas, tive que escolher entre ela e Glasgow e, bem, vocês já sabem qual foi a minha opção. Vontade de ir ainda tenho e quando for vou poder fazer uma análise mais completa. Porque depois de 5 semanas na Inglaterra sem ouvir nenhuma música do quarteto mais famoso do mundo, arrumei minhas malas e fui parar na Irlanda, em Dublin. E perdi as contas de quantas músicas dos Beatles eu ouvi em pouco mais de dois dias lá.
Dublin é uma cidade completamente musical. Desde os meus primeiros passos pela cidade eu já pude ouvir música por todos os lugares. E boa música. E não, não estou falando só de rock. Tô falando também da música irlandesa, completamente tradicional e MUITO boa. Por todo lado, nas ruas, nos botecos, nas esquinas, nos restaurantes… muita música, o tempo todo. Nas paredes, imagens, gravuras e textos de muitas bandas. E, mais uma vez, essa minha viagem tem relação com algum grupo que eu gosto muito: U2 nasceu aqui. Ou seja: as músicas que me fazem feliz também me levam para os melhores lugares!
Cheguei à noite na cidade, depois do pior voo da minha vida. O avião sacudiu tanto, mas tanto, que parecia que estavamos viajando numa carroça por uma estrada esburacada. Achei que não ia conseguir chegar, sério. Enfim, cheguei. Mas, com uma febre e uma gripe f#@*. Não tinha forças para mais nada: apesar da caminhada agradável que fiz do ônibus até o hostel, meu único desejo era deitar e dormir.
O hostel, chamado Barnacles, é extremamente bem localizado, no coração da cidade, ao lado no Temple Bar, o bairro boemio e cultural mais famoso da região. O preço vale pela localização, mas não pelo tamanho do quarto. Enfim, tinha uma cama para dormir e um banheiro dentro do quarto, ou seja, o suficiente para dois dias.
Acordei no sábado sem disposição nenhuma para viver meu lado turista. Ainda sentia a gripe forte, mas, disse para mim mesma que não ia perder o pouco tempo que tinha na cidade dentro do hostel dormindo. Então, tomei meu café e fui pra rua. A cidade é super fácil de conhecer: boa para caminhar, com as coisas muito próximas uma das outras. Fazia um frio considerável, então resolvi entrar uma das igrejas para visitar e me aquecer um pouco: St Audoen’s. A escolha foi boa, pois lá dentro além de muita história bacana, também pude conhecer pessoas muito simpáticas que ajudaram a fazer meu dia ficar mais colorido. Não tive problemas com o sotaque local e fiquei muito bem impressionada pela gentileza das pessoas.
Caminhei, caminhei, caminhei até resolver querer sentar de novo. Desta vez, escolhi um banco com sol dos jardins da Igreja de St Patrick’s. As cores do outono são lindas e sempre me impressionam, especialmente em parques e jardins como este. Fiquei lá por muito tempo, dividindo o banco hora ou outra com alguém que passava. Mas, como o frio ia apertando e minha gripe não estava indo embora, resolvi voltar pro hostel para buscar outra blusa e poder continuar meu roteiro.
Na volta, ganhei uma companhia: um americano meio irlandês que estava também no meu quarto. Caminhamos por toda a tarde, dos dois lados do rio Liffey.
Para a noite, já tinha arrumado programa: pela manhã havia comprado meu “bilhete”
para o Pub Crawl, uma espécie de roteiro que é feito com mochileiros pelos botecos da cidade. E não são os botecos famosos, mas os mais bem escondidos. A programação da noite incluía 5 locais diferentes. Em 4 deles ganhamos um “shot” de alguma bebida e no último entrada gratuita, já que era um clube. Os caras passam te buscar na porta do hostel reúnem um monte de gente, de vários hostels diferentes. Boa pedida para conhecer gente e dar risada. Também ganhamos desconto em drinques nesses bares. Dos 5, somente o último fui ruim, pois era um lugar bem ao estilo “inglês” e eu já estava bem cansada desse modelo de balada. Voltamos para a região do hostel e fomos para um outro pub por lá. Juro, nunca ouvi tanto Beatles em um lugar só como neste bar e nesta cidade. Ótima opção para fechar o dia!
Domingo, caminhada longa pela cidade novamente. História, arquitetura, jogo de criquete (se era mesmo isso, não sei dizer), comida boa, Guiness, música irlandesa (que eu amei de paixão) e pra fechar a noite, show cover do U2 – bem ruinzinho, mas valeu para cantar todas as minhas músicas preferidas.
Da janela do hostel era possível ver uma grande parede preta com as fotos de bandas e personalidades importantes locais. Na rua, para todo lado, alguma loja de música ou gente com suas guitarras por todo lugar. Foi esse o resíduo que a Irlanda me deixou. Um país que respira música. Boa música. Já sei que já disse isso antes. Mas é o que mais de concreto consigo compartilhar. Se eu fecho os olhos para lembrar dos meus dias lá, a trilha sonora vem junto, automaticamente.
Parti no meio da madrugada deixando para trás uma saudade que já havia começado a sentir na véspera e um gosto de quero mais. Um dia eu volto, certeza.


